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SÉRIE D - Santa é desclassificado e aumenta o sofrimento da nação tricolor Amigos, sofrimento igual ao da torcida do Santa Cruz é algo sem precedentes no futebol brasileiro. Não conheço nada parecido. Nem o Náutico, cuja torcida teve o dissabor de ver seu time perder para uma "equipe de society", como acontecera em 2005, naquele fátidico jogo contra o Grêmio, que ficou conhecido como a Batalha dos Aflitos. Para se ter idéia, fui abordado no último domingo pelo vigia do meu prédio. Tricolor, segundo o próprio, "doente", ele me confidenciou que chorou pela desclassificação prematura no Brasileiro da Série D. Disse também que rasgou uma camisa do clube. Imagino que cenas parecidas ou outras várias manifestações devem ter se repetido aos milhares, após o empate com o CSA, por 2x2, no Arruda. Não há muito o que falar sobre o jogo, senão o velho e conhecido festival de chances perdidas. Lá atrás, na defesa, os vacilos de sempre. Não há que se culpar esse ou aquele. Todos dividem a derrota. O atual presidente e seus diretores, mesmo inexperientes, queriam o melhor. É triste ver o clube do povão no meio deste caos. Especialmente para mim, que, como repórter setorista, acompanhei o Santa Cruz por dois anos. Por exemplo: vi, de perto, a milagrosa ascensão à Série A de 1999. Lembro-me. Foi um verdadeiro carnaval coral, fora de época, no Recife. Por incrível que pareça e por mais que um profissional deva manter o distanciamento, foi inevitável fazer amigos no Arruda. Muitos deles ainda estão lá. Penso na condição de subsistência daqueles que, ao contrário dos jogadores, ganham um salário-minimo, dois ou pouco mais que isso. Pior ainda: estão com os salários atrasados há três meses, sem contar com um sem-número de meses "em branco" de outras gestões, todas irresponsáveis, ou melhor, responsáveis pela condição de completa falência em que o clube se encontra hoje. O mais incrível é que a vitória do Central contra o Sergipe, em Aracaju, algo que parecia dificílimo, aconteceu. Como a diretoria havia prometido gratificar os patativas (com R$ 100 mil), terá de cumprir. Mais uma vez o Santinha deixou escapar o resultado dentro de seus próprios domínios, sob o testemunho de quase 30 mil tricolores. Aliás, está aí uma torcida de primeiríssima divisão. Colocar mais de 115 mil torcedores em três partidas no Recife é coisa para pouquíssimas torcidas de clubes brasileiros. O Tricolor é um privilegiado neste sentido. Porém, trata-se de uma paixão não correspondida. Amar e não ser amado em igual intensidade é duro. Só sabe quem já passou por isso. A mensagem de força que deixo para a nação coral é a seguinte: não há nada que dure para sempre. Uma hora todo esse sofrimento irá passar e os dias de glórias e vitórias estarão de volta. O sol nasce todo dia. A imensa e apaixonada torcida coral saberá esperar por ele. FICHA SANTA CRUZ: Gustavo; Marcos Tamandaré, Alex Xavier, Leandro Camilo e Marquinhos; Anderson, Alexandre Oliveira (Marcelinho), Neto Maranhão e Leandro Gobatto (Léo); Juninho e Paulo Rangel. Técnico: Márcio Bittencourt. Escrito por Leonardo Guerreiro às 16h53
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